Donald Trump e Jeffrey Epstein: o colapso de uma amizade cercada de segredos

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Era meados dos anos 2000 quando a longa amizade entre Donald Trump e Jeffrey Epstein chegou ao fim. As principais fontes apontam que o rompimento teria ocorrido por uma rivalidade comercial ou pelos comportamentos já questionáveis de Epstein. Em 2007, Trump baniu o ex-amigo do resort Mar-a-Lago após um episódio de assédio envolvendo uma adolescente, filha de um dos membros do clube do magnata, fato confirmado apenas em 2025, com a correção de que se tratava, na verdade, de funcionárias do local.

Nesta quarta-feira, o Comitê de Supervisão da Câmara Americana divulgou documentos reveladores da equipe de Epstein, contendo informações privilegiadas sobre as viagens aéreas de Donald Trump. O material sugere que Epstein manteve interesse em monitorar o ex-amigo mesmo após o rompimento. Um dos e-mails encontrados revela que os movimentos de Trump estavam sendo rastreados:

“Trump está em nosso bairro hoje. Parece que vai comparecer ao 740 Park para uma arrecadação de fundos.”

A mensagem, cujo remetente não foi identificado, foi assinada por Richard Kahn, contador de Epstein.

As trocas de e-mails entre os funcionários de Epstein demonstravam o desprezo que o empresário nutria por Trump. Em uma das mensagens, Epstein escreveu:

“Este não é um fenômeno novo para ele. No passado, foi instruído a não sair de seu apartamento — foi assim que quase entrou em falência pessoal. Sua força é notável; ele é espancado 24 horas por dia, 7 dias por semana.”

Mas, afinal, quem foi Jeffrey Epstein — e por que sua relação com Donald Trump voltou aos jornais nesta semana?

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A trajetória de Jeffrey Epstein

Jeffrey Edward Epstein nasceu em 20 de janeiro de 1953, no bairro do Brooklyn, em Nova York. Filho mais velho de um casal judeu que se casou em 1952, cresceu em uma família de trabalhadores e frequentou escolas públicas. Aos cinco anos, tocava piano; aos dezesseis, concluiu o ensino médio, adiantando-se duas séries.

Ingressou no Instituto Courant de Ciências Matemáticas, da Universidade de Nova York, mas abandonou o curso em 1974, sem se formar. Ainda assim, lecionou física e matemática, mesmo sem credenciais oficiais. Nessa época, já acumulava controvérsias, inclusive por contratações consideradas “não convencionais” quando exerceu cargo de direção. Foi demitido em 1976 por baixo desempenho.

Logo após, iniciou carreira no mercado financeiro como assistente júnior em uma corretora, onde rapidamente ascendeu. Em 1981, fundou sua própria empresa de consultoria, que atuava na recuperação de dinheiro desviado por corretores e advogados fraudulentos — exercendo um papel ambíguo: trabalhava tanto para o governo quanto para clientes envolvidos em esquemas ilícitos.

Com o tempo, Epstein ampliou sua rede de contatos entre os poderosos, abriu novas empresas e conquistou espaço na mídia. Em 2003, chegou a ofertar a compra da revista New York.

Escândalos e prisões

Em 2005, Epstein entrou no centro de uma investigação policial em Palm Beach, após a denúncia de uma madrasta que alegava abuso sexual contra sua enteada menor de idade. A jovem teria sido levada à mansão do bilionário por outra garota e recebeu cerca de 300 dólares para se despir e massageá-lo.

A denúncia levou à abertura de uma ampla investigação com participação do FBI. Nas buscas, foram encontradas fotos, câmeras, livros sobre escravidão sexual e provas de que pelo menos 34 menores de idade frequentavam sua residência para “sessões de massagem”. As apurações revelaram ainda o envolvimento de uma rede de pessoas influentes nos crimes.

Em 2008, Epstein declarou-se culpado e cumpriu apenas 13 meses de prisão antes de ser libertado sob condicional em 2010. Em 2019, voltou aos holofotes ao ser novamente acusado — desta vez, de tráfico sexual. O processo alegava que dezenas de meninas menores de idade eram levadas às suas mansões para encontros sexuais.

Epstein foi encontrado morto em sua cela no dia 23 de julho de 2019, após ter seu pedido de liberdade negado, mesmo oferecendo uma fiança de 100 milhões de dólares.

Até hoje, o caso continua repercutindo e levantando questionamentos sobre os nomes presentes na misteriosa “lista” que ele teria usado como moeda de troca entre os poderosos.